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A Árvore de Gernika: Um Estudo de Campo da Guerra Moderna

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Sinopse

Os bascos, cuja supressão é o tema deste livro, são uma raça de indivíduos religiosos, que apreciam um bom copo e abominam a blasfêmia, e vivem no montanhoso litoral sudeste da baía de Biscaia. Eles são arraigadamente náuticos; balançam e pescam na baía sem jamais enjoar. Graças a eles o princípio da liberdade nos mares foi originalmente estabelecido, em um tratado naval firmado em 1351 com Eduardo III da Inglaterra. As províncias bascas de Biscaia e Guipúzcoa estão entre as mais ricas e são de longe as mais progressistas da Espanha. Espanha? Poucas coisas tiram tanto a calma do basco quanto a sugestão de que é espanhol. Para ele, mais vale ser chamado de ibérico, um termo que quase transmite a ideia dessa antiguidade e desse crepúsculo peninsular nos quais reconhece sua origem: muito fria, cingida de rochas, em vales glaciais escalavrados, remota, pré-mediterrânica, em meio às pedras. Ao contrário de todos os outros povos da Europa Ocidental, o basco nunca passou pela etapa feudal. Sempre foi dono de sua terra, e jamais conviveu com uma classe de despossuídos, seja de escravos, seja de vilãos. Sempre foi membro de uma democracia plena, na qual todo homem vota. Portanto, não faz sentido o conflito de classe, a ideia de um capitalismo agressivo ou de um proletariado agressivo. Sua civilização é antiga demais para que dê conta do choque de interesses ocasionado pelo feudalismo que jamais conheceu. Tão antiga é ela que os termos para “faca”, “arado” e “machado” ainda derivam da raiz basca aiz, que significa “pedra”; tão apegado à terra são os bascos que seus sobrenomes ainda significam Encosta, Vale Quente, Macieira, Ameixa Nova, Rocha e Corredeira. A língua e o povo, assim como as leis democráticas e igualitárias, têm sua origem em alguma montanha enevoada e intocada pelo empenho atrofiante da nossa ciência nova. E por que deveria o mundo moderno, tão interessado em distinguir arianos de não arianos e na evidente supremacia de romanos sobre negros, dar-se ao trabalho de explorar um berço de civilização assim insignificante e estranho? O que tem o basco a ver com o progresso?