
A Última Superstição: Uma Refutação do Neoateísmo
- Edward Feser
- 426 Páginas
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Sinopse
No momento em que escrevo este prefácio, faz exatamente uma semana que a Suprema Corte do Estado da Califórnia determinou que os homossexuais têm o “direito civil fundamental” de casar-se com pessoas do mesmo sexo1. Ainda não é possível afirmar se os Sólons do estado da Corrida do Ouro farão corroborar este extraordinário veredicto de uma decisão que torne um burro semelhante a um cavalo, mas eles já foram muito além do sofista do diálogo de Platão ao “tomarem o mal pelo bem”, para não dizer a loucura pela razão. É famosa a afirmação de Malcolm Muggeridge segundo a qual “sem Deus, resta-nos escolher entre sucumbir à megalomania ou à erotomania”.3 Ao determinar por pura sanção judicial que a família e a sodomia têm dignidade idêntica perante a lei, a maioria dos juízes da corte parece ter dado um passo à frente da afirmação de Muggeridge, sucumbindo a ambas ao mesmo tempo.
A referência a Deus é pertinente. Os êxitos do movimento que deseja o reconhecimento do “casamento entre pessoas do mesmo sexo” vieram de uma hora para outra. Há apenas uma década essa mesma ideia teria sido motivo de chacota por sua excentricidade e radicalismo; hoje, aqueles que se opõem a ela é que são rotulados de excêntricos e radicais. Mas igualmente súbita foi a ascensão da ostentação de descrença como posição obrigatória da patota dos bem-pensantes. Os progressistas e inconformistas mais célebres das gerações passadas consideravam necessário professar crer pelo menos em um “evangelho social” e ocultar as dúvidas sobre as verdades metafísicas da religião sob uma névoa de psicobaboseira pseudoteológica. Contudo, a moda ateísta tornou-se, como que do nada, o substrato dos bestsellers, das causas apoiadas por celebridades e dos grupos de leitura de donas de casa. É como se o progressismo secularista cosmopolita dos jantares inteligentes que caracterizou o século XX tivesse, por meio da intoxicação lenta – mas certa – produzida por uma série ininterrupta de triunfos sociais e judiciais, se tornado no século XXI o bêbado troca-pernas da sarjeta e perdido todas as inibições, ora blasfemando, ora prostituindo-se e sempre pronto a ofender toda a sensibilidade sã e decente de acordo com o próprio estado de espírito.




